9 outubro 2026

AstraPay é destaque no Valor Econômico com tecnologia que conecta o Pix ao mercado internacional

AstraPay desenvolve tecnologia que ‘traduz’ o Pix para outros canais e faz acordo com gigante chinesa UnionPay

Com a interoperabilidade internacional do sistema de pagamentos instantâneos, a AstraPay faz a transação e um banco parceiro realiza a operação de câmbio

Fundada em 2024 por Alexandre Oliveira Mota, a AstraPay desenvolveu uma tecnologia que “traduz” o Pix e, assim, possibilita a conexão do sistema de pagamentos instantâneos brasileiro com outros canais, inclusive de empresas de outros países, criando assim uma espécie de “Pix internacional”. A companhia fez um acordo com a bandeira chinesa de cartões UnionPay e colocou o sistema em produção em julho.

Mota, que tem passagens por Santander, Pine, BankBoston, Caixa, entre outros bancos, conta que começou a desenvolver a tecnologia para fazer esse “Pix internacional” há dois anos. O Banco Central ainda não lançou de fato o Pix transfronteiriço, que seria uma comunicação entre os sistemas de pagamentos oficiais de dois países, mas o mercado tem se adiantado a esse processo, criando justamente formas de conectar a experiência brasileira com outros canais de pagamento.

“O que nós estamos fazendo, o Banco Central chama tecnicamente de interoperabilidade do Pix. Então, apesar do produto ‘Pix internacional’ ainda não existir, todo o trilho, todo o regulatório já existe”, explica. “Eu consigo tirar dinheiro de um Pix e colocar dinheiro em outro lugar e tirar dinheiro desse outro lugar e colocar no Pix. Essa tecnologia a gente chama de ‘tradução’ de QR Code. É um modelo agnóstico e sem exclusividade com ninguém.”

Ele conta que desenvolveu sua tecnologia sempre em contato com o BC e com a assessoria de grandes escritórios de advocacia. O Pinheiro Neto, por exemplo, foi quem ajudou a AstraPay a conseguir sua licença de instituição de pagamento. A autorização do BC, para atuar na modalidade iniciador de transações de pagamentos, veio em agosto do ano passado, com capital de R$ 1,890 milhão.

Com essa interoperabilidade internacional do Pix, a AstraPay faz a transação de pagamento e um banco parceiro realiza a operação de câmbio. É um esquema diferente do que muitas fintechs já fazem. Várias fazem o ‘Pix internacional outbound’, ou seja, o brasileiro pagando lá fora com Pix. Mas, na prática, o que acontece muitas vezes é que essa empresa lá de fora, onde o cliente está comprando, abriu uma conta de não residente no Brasil. Então, no fim das contas, esse “Pix internacional” acaba sendo apenas um Pix entre duas contas no Brasil. Não há nenhuma ilegalidade nisso, mas esse esquema acaba fazendo com que o BC não tenha visibilidade de operações que são, de fato, transações transfronteiriças.

“Nós fazemos um câmbio para cada operação, em tempo real. A vantagem é que estamos 100% dentro das regras e somos transparentes com o BC”, explica Mota. “O que criamos foi um arranjo robusto, do ponto de vista regulatório, tecnológico e de segurança, para fazer uma interoperabilidade do Pix, em escala”. O foco inicial da fintech é o “inbound” [estrangeiros gastando no Brasil], mas ela também vai desenvolver o “outbound”, provavelmente já no próximo ano. No modelo de eFX (câmbio eletrônico), ela tem um limite de US$ 10 mil por dia por cliente.

No mês passado, a AstraPay anunciou um acordo com a UnionPay, que já emitiu mais de 9,4 bilhões de cartões em todo o mundo. Com sua tecnologia de “tradução”, ela conecta o Pix com os cartões da gigante chinesa. Na prática, quando um turista chinês vem ao Brasil, ele usa o aplicativo normal onde tem sua conta para escanear um QR Code de Pix e a cobrança é feita no seu cartão UnionPay. “O potencial de volume no longo prazo é muito alto. Este ano o Brasil deve receber quase 200 mil turistas chineses. Começamos os testes em julho, entramos em produção e agora começamos a ‘rampar’ [escalar]. Hoje operamos alguns milhões de reais, mas a gente nasceu para escala de bilhões”.

Desde a fundação da AstraPay, Mota é o único acionista, mas está negociando a entrada de uma empresa de tecnologia no capital, que deve ficar com uma fatia inferior a 15% na holding da fintech.

Fonte: Valor Econômico
https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/09/21/astrapay-desenvolve-tecnologia-que-traduz-o-pix-

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